O pecuarista não vende capim. Desse modo, é preciso converter o pasto em produto animal comercializável, como carne ou leite.
Essa conversão do pasto em produto animal é muito mais importante em pastagens adubadas, porque nessas condições o pasto é mais caro. Então, o pecuarista não pode se dar ao luxo de desperdiçar um pasto, cujo custo de produção é maior, como o pasto adubado.
Em outras palavras: é preciso que o pasto adubado seja eficientemente colhido pelo animal através do pastejo; e, depois de consumido pelo animal, os nutrientes contidos no pasto precisam ser transformados em carne ou leite.
Infelizmente, isso nem sempre acontece. De fato, ainda é comum encontrarmos pastagens adubadas com pouco animais (baixa taxa de lotação) durante a época das águas. Nessa condição, ocorre o subpastejo, isto é, baixo consumo de pasto pelos animais, em relação ao alto crescimento do capim. Como resultado, o pasto não é colhido de modo eficiente, o que gera muitas perdas de forragem na pastagem adubada.
Os motivos que fazem com que alguns pecuaristas não aumentam a taxa de lotação na pastagem adubada geralmente são devido à falta ou falhas de planejamento com relação a:
Além disso, quando a taxa de lotação não é aumentada na pastagem adubada, as plantas alcançam maiores alturas, ou seja, passaram do ponto certo de colheita pelos animais. E para sustentar o maior peso dessas plantas, o caule (talo) delas engrossam. Porém, em alguns casos isso não é suficiente para impedir o tombamento das plantas
No pasto mais alto, as folhas mais baixas também ficam sombreadas pelas folhas mais altas e, assim, morrem, aumentando a quantia de material morto no pasto.
As maiores quantidades de caule e de material morto no pasto adubado e subpastejado resultam em pasto com pior valor nutritivo, isto é, menos concentrado em nutrientes ou com nutrientes que não conseguem ser utilizados pelo animal, para transformá-los em produto animal. Isso acontece porque o caule (talo) e o material morto têm pior valor nutritivo do que a folha viva (verde).
Se o pasto adubado apresentar muito talo e material morto, os animais geralmente não consomem essas partes da planta. Com isso, boa quantidade de forragem não será colhida pelos animais, o que diminui a eficiência de pastejo e, com efeito, aumenta as perdas de forragem. Esse é um aspecto negativo, pois, conforme já relatado, “pasto que não é consumido não é convertido em produto animal”.
Como consequência, se a produção animal reduz, a rentabilidade do sistema de produção pode ser comprometida, tornando a adubação de pastagens uma técnica inviável economicamente, devidos aos erros de manejo do pastejo.
Ao perceber que o pasto “passou do ponto” e contém grande quantia de material morto e de talo, muitos pecuaristas lançam mão da roçada para eliminar rapidamente o pasto com morfologia inadequada ao consumo e ao desempenho animal.
Porém, essa estratégia tem a desvantagem aumentar o custo do produto animal em pastagem, devido aos gastos com mão-de-obra e combustível durante a operação da roçada.
Perante tudo isso, espero que você tenha compreendido as razões pelas quais o pasto adubado deve ser muito bem colhido pelos animais em pastejo.
Até uma próxima!

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